sexta-feira, 7 de maio de 2010

CATÓLICOS AGUARDAM CANONIZAÇÃO DE ADVOGADO FALECIDO EM 1981

Igreja enviará relatórios à congregação na Santa Sé

(matéria publicada no A VOZ DA CIDADE - quarta-feira (05/05/2010)
Peter Holzwarth conta com orgulho a história do irmão (detalhe) que pode virar santo da Igreja Católica (foto: Jeff Castro)

A Belina com dezenas de perfurações à bala (foto: reprodução)

Os corpos dos detentos ficaram expostos na calçada em frente a cadeia pública de Jacareí (foto: reprodução)

Franz entrava no veículo acompanhado pelos detentos em fuga (foto: reprodução)

Os barrenses católicos estão confiantes na canonização de Franz de Castro Holzwarth, falecido em 14 de fevereiro de 1981 quando mediava uma rebelião de presos na cadeia pública da cidade de Jacareí (SP). O processo de canonização do já reconhecido como Servo de Deus pela Igreja Católica, foi aberto em março de 2009 pela Diocese de São José dos Campos. O processo está sendo estudado pela Igreja Católica, que após constatar a fama de santidade e martírio de Franz de Castro Holzwarth enviará relatórios da Congregação para a Causa dos Santos, na Santa Sé, em Roma, onde será decidida canonização do filho ilustre de Barra do Piraí.
Filho de Franz Holzwarth (falecido em 1996) e Dinorah de Castro Holzwarth, 90 anos, e irmão de Heloísa de Castro Holzwarth da Rocha (falecida em 1974), Sonia de Castro Holzwarth (63), Peter Paulo de Castro Holzwarth (62) e Ruth de Castro Holzwarth (60), Franz de Castro Holzwarth, nascido em Barra do Piraí no dia 18 de maio de 1942, ingressou aos 21 anos na Faculdade de Direito do Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP), onde concluiu o curso sendo inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 1968.
Católico fervoroso, o advogado Franz de Castro Holzwarth nunca abandonou sua vocação sacerdotal dedicando-se ativamente aos programas e projetos da Igreja Católica com participação na criação da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), que hoje atua junto a Pastoral Carcerária.
A expectativa é grande no município onde ainda residem a mãe e os irmãos de Franz. Peter Paulo de Castro Holzwarth disse à equipe do A VOZ DA CIDADE acreditar piamente na canonização de Franz Holzwarth, que para ele era possuidor de fé inabalável, forte vocação para a vida sacerdotal e disposição incansável na defesa das causas dos excluídos. “Lembro-me quando Franz vinha passar as festas de final de ano sempre acompanhado por um detento sob sua guarda”, conta Peter Holzwarth emocionado e orgulhoso com a possibilidade de ter um santo da igreja católica em sua família.
A fé dos irmãos se torna ainda maior quando constatam que sem qualquer pedido ou articulação dos familiares e amigos, o nome do advogado nunca foi esquecido nesses trinta anos após a sua morte. “Realmente tem a mão de Deus sobre sua vida e morte. São muitas as manifestações em apoio à canonização de Franz. É algo que me deixa realmente muito emocionado. Com fé em Deus Franz será o primeiro barrense canonizado pela Igreja Católica por sua brilhante história de vida dedicada a sua profissão e sua fé.”, argumenta.
O advogado Mario Ottoboni publicou em 1983 o livro O mártir do cárcere, pelas Edições Paulinas, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) instituiu em 1984 o prêmio Franz de Castro Holzwarth de Direitos Humanos, que já agraciou personalidades como Ulisses Guimarães (1987) e Herbert de Souza, o Betinho (1992).

REBELIÃO E EXECUÇÃO
Na tarde de 14 de fevereiro de 1981 o então delegado de São José dos Campos (SP), João Chrysóstomo de Oliveira, solicitou o apoio da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) na mediação com os detentos rebelados na cadeia pública da cidade vizinha de Jacareí (SP), para onde seguiram o presidente e vice-presidente da associação, respectivamente, os advogados Mario Ottoboni e Franz de Castro Holzwarth.
Com as negociações em condução pelo juiz corregedor Orlando Pistorezzi, os advogados se apresentaram como voluntários para seguir em dois carros juntos aos rebelados e três reféns – carcereiro Adolfo, escrivão José Benedito Aparecido e um policial militar que teve sua arma roubada pelos detentos – até um local seguro onde todos seriam libertados e os detentos poderiam empreender fuga.
O primeiro carro, um Galaxie preto da prefeitura de São José dos Campos, partiu sendo dirigido por Ottoboni. O advogado foi libertado quilômetros depois na Rodovia Presidente Dutra quando os sete detentos se dividiram após roubar outro veículo. O refém José Benedito Aparecido seguiu com parte do bando sendo libertado mais tarde na localidade conhecida como Rio Comprido.
O segundo carro, uma Belina placa XI 7752 foi entregue aos rebelados por volta das 16 horas daquela tarde de sábado. Quando Franz Holzwarth, o refém policial militar e mais cinco detentos seguiram em direção ao veículo cumprindo a segunda parte do acordo, segundo matérias em jornais que fizeram a cobertura da rebelião, os policiais militares exigiram a libertação do refém provocando o clima tenso que culminou na troca de tiros que vitimou Franz Holzwarth, o capitão PM Antônio de Oliveira e os cinco detentos que tentavam a fuga. Mais treze pessoas foram atingidas por balas perdidas, dentre elas oito populares que assistiam ao desfecho do caso.
O advogado Franz de Castro Holzwarth foi sepultado no cemitério Santa Rosa em Barra do Piraí sob forte comoção popular.

quinta-feira, 25 de março de 2010

DUAS VEZES EM NOVE ANOS OFENDIDO PELO PASTOR CELSO MARTINEZ, DA IGREJA BATISTA


Assim como eu respeito à fé do pastor Celso Martinez, gostaria que a minha também fosse respeitada.

Fui a Igreja Batista de Barra do Piraí em duas tristes oportunidades. A primeira em 2001 e na Rua Moreira dos Santos para participar da cerimônia fúnebre do presidente da Câmara, Hamilton Baltazar; a segunda na semana passada e também para me despedir da amiga inesquecível de minha adolescência, Rosane Martins do Amaral Pires.
Confesso que pensei muito antes escrever este comentário, até porque eu tive nove anos para avaliar a relevância e oportunidade do mesmo. Então cheguei à conclusão que era importante para a liberdade religiosa revelar que nas duas oportunidades eu deixei a Igreja Batista me sentindo ofendido pelo Pastor Celso Martinez:

“Porque Hamilton Baltazar acreditava num Jesus Cristo vivo, não pregado numa cruz!”, disse o Pastor Celso em 2001.

“Porque Rosane acreditava num Jesus Cristo vivo, não num corpo cadavérico pregado na cruz!”, disse o Pastor Celso na semana passada.

Como não se tratava de um culto da Igreja Batista, mas de cerimônias ecumênicas para familiares e amigos de Hamilton Baltazar e Rosane, acredito que o Pastor Celso, homem respeitado em sua Igreja, poderia ter sido um pouquinho mais inteligente e gentil com os presentes.
Eu entrei e saí da Igreja Batista nas duas oportunidades com meu crucifixo no peito e me sentindo ofendido pelo Pastor Celso Martinez, que o rotulou como corpo cadavérico pregado na cruz.
Sobre a Igreja Batista tenho a dizer que possui pastores e membros valorosos, como minha sogra, Clenir dos Santos Souza, e o próprio pastor Celso Martinez.
Sobre as cerimônias fúnebres tenho a dizer que foram emocionantes e consoladores para familiares e amigos dos que partiram ao encontro do Jesus dos batistas, umbandistas, católicos, enfim, dos cristãos.
Era o que eu tinha a dizer.

segunda-feira, 8 de março de 2010

PELA LIBERDADE DE IMPRENSA

“Durante o primeiro ano de dominação fascista, 1922-23, tinham-se pilhado e incendiado as oficinas e redações dos jornais de oposição. Redatores e correspondentes foram agredidos, feridos, banidos. Edições inteiras de jornais foram incendiadas ao sair das oficinas, ou à sua chegada nas estações de estrada de ferro. Os vendedores eram ameaçados e agredidos e suas bancas incendiadas. De vez em quando os dirigentes provinciais seqüestravam edições inteiras dos jornais. Mas as velhas leis que garantiam a liberdade de imprensa continuavam oficialmente em vigor, e os confiantes continuavam a esperar que estes atos ilegais e inconstitucionais cessariam um dia, e que a liberdade de imprensa se instauraria de novo.”

(Gaetano Salvemini, La Terreur Fasciste, Paris, 1930. págs 238-247)

“Inicialmente devemos salientar a tendência para se transformar a imprensa, de atividade econômica profissional e cultural privada, em ‘serviço público’. Isto se deu com o Marxismo, o Fascismo e o Nazismo, sempre com o mesmo pretexto de que jornal representa interesses capitalistas e não a liberdade de pensamento.
Não se pode negar o poder econômico sobre a imprensa como sobre qualquer outra atividade humana, no Estado moderno. No regime democrático, porém, este poder econômico atuando livremente atua diversamente, isto é, se distribui entre diferentes opiniões que oferecem base de apoio a diferentes tipos de jornais. A submissão dos jornais aos governos não diminui a influência do poder econômico sobre eles; apenas concentra este poder que, exercendo-se sobre o governo, faz dele o seu conduto único de pressão sobre a imprensa. Então, ainda que nos situemos no campo exclusivamente material do interesse econômico, desprezando a parte moral e ideológica que sabemos existir na imprensa, ficaremos diante de um poder econômico que atua sem oposição, o que é muito pior, pois livre da fiscalização e da crítica dos interesses contrários, ele se expande em prejuízo da moral pública e das verdadeiras necessidades do Povo.”

(Afonso Arinos de Melo Franco, Pela Liberdade de Imprensa, 1957. págs 45-49)

“Prefiro ser governado por homens honestos chamados de ladrões, do que por ladrões chamados de homens honestos. Nos países livres, os jornais sustentam partidos diferentes, defendem interesses de classes opostas; o que cala por motivos sonantes, ou outro revela; a campanha iniciada por uma folha paga encontra na folha rival, respostas vigorosas. Mesmo se a verdade, calada por um jornal de 500 mil exemplares, é revelada por outro que tire 10 mil, chega afinal ao público. De resto, já se observou que a grande imprensa, com enormes tiragens, está longe de ser a única e mesmo a mais influente”.

(Georges Weil, Le Journal - Paris – 1934)